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Revista electrónica de información para padres de la Asociación Española de Pediatría de Atención Primaria (AEPap)

Alterações no crescimento das crianças

Mª Elena Fernández Segura. Pediatra de Atención Primaria. Centro de Salud de Nerja (Málaga).
Susana Rocha.

O crescimento das crianças é um processo dinâmico e para fazer uma análise apropriada de se existem problemas no crescimento deve-se avaliar a curva de crescimento de cada criança.

O que são os percentis? Os gráficos que utilizamos para as curvas de crescimento do peso, a altura e o perímetro cefálico estão divididas segundo percentis. O percentil é um conceito estatístico e utilizamo-lo para explicar o crescimento das crianças. O percentil pode ter valores de 0 a 100.

O que significa que uma criança tem a estatura no percentil 40? Vamos dar um exemplo. Consideremos que a turma do nosso filho tem 100 alunos, cada um tem uma altura diferente e colocamo-los em fila por ordem de estatura, primeiro os mais baixos e depois os mais altos. A altura do nosso filho corresponde à posição 40 e a estatística dir-nos-ia que está no percentil 40. Isto significaria que a sua altura é normal e que comparando-o com as 100 crianças da sua turma a sua altura está acima de 40% das crianças da turma e abaixo de 60% das crianças da turma.

Tem que se crescer sempre pelo mesmo percentil? O importante não é ter um percentil alto nem estar no percentil 50 mas sim crescer de forma mais ou menos regular à volta de um mesmo percentil. O problema estaria se a altura da criança correspondesse a um percentil menor de 3 e de forma mantida. Com certeza se a altura do seu filho está abaixo do percentil 3 o seu pediatra iniciará um estudo. Quer dizer, seguindo o exemplo posto anteriormente, se uma criança tem a sua altura no percentil 3 quer dizer que só 3% das crianças da sua idade teriam uma altura mais baixa que ele e 97% uma altura mais alta.

Se o pediatra me tiver dito que o meu filho teve um catch up no crescimento, isto que significa? Queremos explicar que há um crescimento recuperador depois de uma perturbação que a criança sofreu que limitou o seu crescimento.

Às vezes, às crianças que se estão a estudar por alteração do seu crescimento solicita-se-lhes uma idade óssea. Em que consiste esta prova e que informação nos dá? A idade óssea é outro elemento de valorização do crescimento e fala-nos da velocidade a que cresce o esqueleto. Realiza-se uma radiografia do punho e mão esquerda e compara-se com uns modelos existentes para cada idade. O seu resultado será valorizado em relação à idade que tem a criança, o seu peso, a sua estatura e o seu desenvolvimento pubertário.

Também se fazem exames de laboratório para diagnosticar alterações no crescimento? Depois da história clínica, exame físico e a idade óssea, poucas crianças necessitarão de um estudo mais completo para esclarecer a causa.

Então quais são as crianças que se consideram realmente baixas? São as que a sua altura está de forma mantida abaixo do percentil 3 ou na estimativa da sua estatura-alvo vemos que não vão alcançar em adultos a estatura que lhes corresponderia pela família de onde nasceram.

Quais são as causas principais de baixa estatura nas crianças? Podem-se agrupar em dois grupos: os que são baixos porque têm uma doença e os que são baixos mas consideram-se crianças normais. Este segundo caso são os mais frequentes.

Como pode haver crianças que não tenham nenhum problema no seu crescimento? Efectivamente, um grupo destas crianças seriam o que consideramos baixa estatura familiar que são as crianças que são baixas porque a estatura dos seus pais é baixa. O outro grupo são as crianças que têm atraso constitucional de crescimento e desenvolvimento. Estas crianças apresentam um ritmo lento para crescer e ao chegar aos 12-13 anos não se produz a aceleração do crescimento própria da puberdade nem se inicia a maturação sexual. No entanto por volta dos 16-17 anos começam as alterações pubertárias e no final alcança-se uma estatura adulta normal. Em 80% dos casos têm antecedentes na família de crescimento semelhante.

Quais são as doenças que podem produzir baixa estatura? Além da desnutrição e certas doenças crónicas está o défice de hormona de crescimento, a restrição de crescimento intra-uterino e certas doenças genéticas como a síndrome de Turner.

Quando se deve suspeitar da falta de hormona de crescimento? Nestas crianças a estatura ao nascer costuma ser normal e crescem bem durante um período de 1 ou 2 anos. Depois a velocidade de crescimento lentifica-se. Aos 3-4 anos a sua altura está abaixo do percentil 3. O diagnóstico deve confirmar-se mediante análises complexas de sangue que se realizam por profissionais com experiência em certos centros hospitalares. Se se demonstra com certeza a falta da hormona de crescimento estará indicado realizar tratamento com hormona de crescimento.

É perigoso o tratamento com hormona de crescimento? Após quase 40 anos de experiência mundial sabemos que não provoca efeitos indesejáveis nos doentes.

O que é a restrição de crescimento intra-uterino? A altura normal para as crianças nascidas de termo é maior que 47 cm. Os que nascem com uma estatura menor são os que denominamos com restrição de crescimento intra-uterino e atinge crianças que tenham sofrido algum problema durante a gravidez. Na maioria dos casos produz-se uma recuperação do crescimento após o nascimento. Mas em muito poucas ocasiões estas crianças não recuperam a altura e aos 4 anos são baixas e podem beneficiar do tratamento com hormona de crescimento.

MAIS INFORMAÇÃO:

http://www.aepap.org/familia/crecer.htm

http://www.who.int/childgrowth/standards/curvas_por_indicadores/en/index.html