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Ciberbullying: o engano do falso anonimato PARTE 1

David Cortejoso Mozo, Psicólogo Sanitario en Centro Psicológico y Educativo Huerta del Rey. Autor del manual para padres: ¡P@dres en alerta! Nuevas Tecnologías.
Susana Rocha.
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Hoje em dia, os ainda mal chamados nativos digitais, movem-se duma forma descontraída pelo mundo digital. Um mundo que lhes proporciona facilidades de comunicação, ócio, conhecimento e milhões de curiosidades com as quais gastar o seu tempo. Um dos problemas que tem este novo mundo no qual todos nos movemos, é a falsa sensação de anonimato.

Na realidade, os nativos digitais são órfãos digitais na medida em que estão a explorar e a interagir com este novo contexto que é a Internet e os dispositivos tecnológicos para se conectarem; sem limites, sem conhecimento das normas, das responsabilidades, sem estabelecer regras de utilização e sem saber quais são os riscos e como se proteger deles. Este trabalho é nosso, dos pais, e infelizmente, não o estamos a fazer.

A mediação parental digital é esse grande desconhecido na actualidade, e nós pais justificamo-nos com diferentes motivos bastante fracos e muito ouvidos: “está muito longe de nós isso das novas tecnologias”, “somos muito velhos para andar com maquinetas”, “não fazemos ideia como funciona a Internet”, “os nossos filhos sabem mais de Internet do que nós”, etc.

A mediação parental digital é um trabalho imprescindível que os pais são obrigados a fazer hoje em dia, com a finalidade de fomentar uma utilização responsável das novas tecnologias, de ensinar aos nossos filhos quais são os perigos que existem na Rede, como se protegerem e saber dar soluções quando infelizmente um destes perigos aparece.

A falsa sensação de anonimato que os menores (e muitos adultos) pensam que têm quando interactuam com as TIC (tecnologias da informação e comunicação), é fruto, primeiro, dessa falta de mediação parental digital pela parte dos responsáveis de educação, e segundo, das próprias tecnologias, as quais fisicamente lhes fazem acreditar que aquilo que estão a fazer ou enviam para “a nuvem”, fica lá, e eles têm a sensação de estar protegidos atrás de um ecrã ou um teclado.

Isto dá lugar muitas vezes a que muitos menores se atrevam a fazer coisas com as novas tecnologias que não fariam na vida física, entre as quais o acossar, insultar, ameaçar, excluir, pressionar, mentir...

Razões para a mudança do “terreno de jogo”

O ciberbullying é o acosso e a agressão entre menores feito através das novas tecnologias e dos dispositivos conectados à Internet. É o “bullying escolar” de sempre, mas que passou para este novo cenário. Mas, quais são as razões pelas quais os menores recorrem às novas tecnologias para praticar o ciberbullying? São várias e bastante contundentes:

  • O ou os agressores precisam de exibir a dita agressão e o domínio sobre a vítima, de forma que precisam que outros o vejam. Na Internet e com as novas tecnologias, o número de espectadores cresce exponencialmente e é um filão para eles.

  • O insulto, a ameaça, a agressão, na Internet vai estar mais tempo visível e, em consequência, mais tempo a fazer mal.

  • O ciberbullying, como outras questões na Rede, é muito chamativo, e tem um efeito viral, chega rapidamente a muitos e é muito fácil que outros se juntem à agressão.

  • O falso anonimato das TIC faz com que muitos prefiram este método em vez de o fazer na relação directa, apesar de por outro lado, o ciberbullying e o bullying irem muitas vezes de mão dada, e os que começam a acossar directamente também utilizam as TIC para reforçar a agressão.

  • As novas tecnologias, além disto, permitem-lhes actuar em qualquer momento, não é preciso que seja imediatamente, permitem-lhes actuar em tempo não real.

  • Ao actuarem via Internet produz-se um efeito de minimização da autoridade e da responsabilidade, pelo que se atrevem com maior facilidade a praticar estas agressões. E minimiza-se também o possível efeito protector das restrições sociais e culturais.

Actores implicados no ciberbullying

Para enunciar uma definição mais formal de ciberbullying, podemos utilizar a seguinte: “o dano intencional e normalmente repetido, infligido por parte de um menor ou grupo de menores a outro menor mediante a utilização de meios digitais”. Três questões básicas extraem-se desta definição: a intencionalidade dos agressores, o ser habitualmente algo repetido e continuado (não isolado), e o facto de utilizar meios digitais.

O ciberbullying é um obstáculo educacional do nosso tempo, que se pode manifestar de muitas e diversas formas, mas que persegue sempre o mesmo objectivo, o de magoar. Pode-se realizar através de insultos, ameaças, provocações, exclusões dum grupo, rede ou actividade, difundir um boato ou mentira, revelar uma verdade, manipular uma imagem ou vídeo, a coacção, espiar, fustigar, e um longo etc.

Mas o ciberbullying não é só uma questão de dois. Os principais actores são:

  • Agressor/es: são aqueles que infligem dano à vítima, utilizando as novas tecnologias.

  • Vítima/s: aqueles que sofrem a lesão por parte dos agressores.

  • Espectador/es: aqueles que estão a ver a agressão e são participantes da mesma de forma activa ou passiva, simplesmente sendo espectadores. Os agressores, se o relembramos, precisam de exibir a agressão, pelo que há probabilidades de a agressão não acontecer ou ser menor sem a existência de espectadores.

Neste sentido, os espectadores são um grupo fundamental quando se trata de trabalhar na prevenção do ciberbullying, tanto nas próprias famílias, como no próprio centro escolar, já que graças à sua intervenção detectar-se-iam muitos casos de ciberbullying. Há que os consciencializar para actuar e denunciar estas situações, para o qual se lhe pode dar diferentes motivos:

  • Porque ninguém tem direito a actuar na Internet maltratando os outros, seja qual for a razão.

  • Porque temos de ser solidários e ajudar os outros.

  • Porque se não actuarem, estão a incentivar o agressor para continuar a agredir.

  • Porque uma vez que se faz, é fácil que outros também ajudem.

  • Porque se o tolera, fica acostumado à injustiça e cresce tolerando-a.

  • Porque ajudando a vítima, sentir-se-á bem consigo próprio.

  • Porque não vale a pena ser amigo dum agressor.

  • Porque ninguém lhe pede para lutar, basta com que o conte a um adulto.

Referências

1 Hábitos seguros en el uso de las TIC por niños y adolescentes y e-confianza de sus padres

2 Monográfico sobre Ciberacoso Escolar (Ciberbullying)

3 Artículo en la web bullying-acoso.com: Qué hacer si sospechas que tu hijo es víctima del ciberbullying